Ética Libertária e Estilo Militante

Nota do FAE sobre recentes difamações ao nosso fórum e ética militante.
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A prática da difamação e da calúnia, infelizmente tem sido frequente no meio libertário, correntes e militantes acusam-se mutuamente com alguma regularidade. Mas existe uma grande diferença entre uma legítima divergência política ou de método, que podem gerar discussões e acusações quanto a eficiência ou relevância (para os nossos objetivos de transformação social) de determinada prática, teoria ou postura, e as calúnias, difamações e falsificações que nada tem haver com o anarquismo e a prática militante que defendemos.

Estamos de acordo com os/as companheiros/as da Federação Anarquista do Rio de Janeiro quando eles afirmam que Ética e estilo militante são valores que devem conduzir nossa prática política. Isso significa dizer que a atividade do/a militante ou do conjunto da militância, deve estar de acordo com os princípios políticos acordados pela organização e com o projeto de regeneração social que almejamos. Ter coerência com os objetivos que defendemos é implementar na relação com as pessoas envolvidas em nosso circulo político um modelo de atuação onde não cabe métodos rasteiros, mentirosos e covardes de se afirmar politicamente.

Mas infelizmente existem muitos no campo libertário e da esquerda em geral que utiliza da tática sorrateira de afirmar-se politicamente a partir da difamação do outro. Quem não consegue diferenciar os adversários dos inimigos não pode conduzir uma militância coerente e tende ao eterno sectarismo, preocupa-se muito mais em atingir os adversários(que podem ser aliados pontuais), do que com a luta contra o inimigo.

O FAE vem afirmar que não vai entrar no jogo da difamação como querem alguns oportunistas que precisam ganhar visibilidade política, nosso fórum tem caminhado com coerência, apesar das dificuldades, erros e acertos típicos do caminho que decidimos trilhar. Estamos chegando ao nosso segundo ano de construção coletiva e não temos pressa em nos afirmar enquanto uma organização política, com um programa plenamente amadurecido e uma construção sólida, não vamos atropelar nosso tempo político. O que não significa que não temos uma direção a seguir e uma forma de seguir caminhando, nunca é demais lembrar das palavras da Federação Anarquista Uruguaia:

“devemos esperar um desenvolvimento teórico acabado para começar a atuar? Não. O desenvolvimento teórico não é um problema acadêmico, não parte do zero. Se fundamenta, se motiva e se desenvolve a partir da existência de valores ideológicos, de uma prática política. Mais ou menos corretos, mais ou menos errôneos, estes elementos existem historicamente antes que a teoria, e motivaram seu desenvolvimento.” (FAU; Huerta Grande).

Queremos dizer que acusações a conduta de nossos/as militantes são acusações ao nosso fórum, pois nossa prática politica se estabelece de acordo com nossos acordos e nosso projeto. Nós tratamos todos os problemas que envolvem nossa construção corrigindo possivéis desvios, mas entre uma acusação e um fato existe uma distância muito grande.

   

Nosso fórum está aberto à discutir e aproximar aqueles/as que desejam e afinam com um anarquismo militante, envolvido com as lutas sociais. Nossa militância busca se associar para potencializar nossas ações, se entender politicamente e produzir, para estar envolvida e se consolidar como uma ferramenta para ajudar a organizar a nossa luta contra o mundo de opressões/exploração que burguesia edificou, na busca por um mundo novo. Estar aberto para o debate com os companheiros não significa se organizar por mera afinidade ideológica, para nós não basta se intitular anarquista, nossa carta de princípios deixa muito claro que defendemos um método, uma maneira que acreditamos ser mais relevante para luta dos anarquistas e está alinhada com o que nossa corrente especifista defende. Por fim, vamos continuar na labuta diária, corrigindo sempre o curso conforme as intempéries no caminho, fazendo uma militância com ética e evitando cair no jogo dos difamadores.

Os oportunistas e difamadores não passarão!

Fevereiro 2016
Fórum Anarquista Especifista.

[Alternative Libertaire – França] Há 20 anos o anarquismo se enraíza com a FAG.

Tradução feita de Federação Anarquista do Rio de Janeiro de nota da Alternative Libertaire, organização anarquista francesa, sobre os eventos acontecidos no Rio Grande do Sul em relação aos 20 anos da Federação Anarquista Gaúcha.

Original: http://www.alternativelibertaire.org/?Bresil-depuis-vingt-ans-l

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Há 20 anos o anarquismo se enraíza com a FAG.

Nos dias 21 e 22 de novembro, foi realizado o aniversário da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) em Porto Alegre. Dois dias de trocas e discussões sobre as práticas desta organização e do anarquismo no Brasil. Uma ocasião para voltar no assunto da corrente do Especisfimo na America do Sul.

No meio de uma pequena praça no centro de Porto Alegre, ergue-se uma bandeira rubro-negra onde podemos ler em letras brancas: “Feira Libertária, FAG-CAB, 20 anos”. É aqui que a Federação Anarquista Gaúcha instalou sua feira do livro e suas  oficinas, com a participação de vários militantes de Porto Alegre e de várias organizações brasileiras e de outros países. Livros, panfletos, cartazes, camisas estampadas de todo o continente estavam espalhados pelas barracas e estandes improvisados. Sob uma tenda, algumas pessoas sentam em circúlo para escutar e debater com as/os militantes anarquistas que vieram apresentar suas reflexões, atividades e/ou a situação de seus respectivos países.

São dois dias de atividades e reuniões (plenárias sindicais, de mulheres e internacionais) intensas que culminaram na noite dos 20 anos da FAG. Em seguida, tivemos as falas de alguns membros da Federação Anarquista Uruguaia (FAU), da  Federação Anarquista de Rosário (FAR), da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) e claro, da FAG. Os/as membros destas organizações souberam hábilmente analisar as conjunturas brasileira, latino-americana e mundial, podendo ilustrar os desafios, os posicionamentos e as estratégias do especifismo. A força dos discursos, a emoção e a exaltação despertada pelos “Arriba lxs que luchan”, repetido em coro pela assembleia, levou a uma alegre festa no fim da tarde, com trocas cordiais e animadas entre as/os militantes que nunca cansam de debater sobre a sociedade atual e sobre o mundo novo que elas e eles sonham em construir.

Uma inserção social em diferentes frentes de luta

A FAG nasce em 1995 em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, e é uma das primeiras organizações especifistas do Brasil. Ela se inspira bastante em sua irmã mais velha, a FAU, organização fundadora da corrente do especifismo. Hoje, ela (FAG) está presente em quatro regiões do estado e está inserida em diferentes frentes de luta. A mais importante é a frente de luta comunitária ou territorial, que se define pelo trabalho junto aos bairros e às populações mais precárias. Para isso a FAG dispõe especialmente de um ateneu libertário onde são organizadas diferentes atividades: educação popular, conscientização, formação (tendo como exemplo a biblioteca libertária, onde podemos encontrar livros clássicos como “A Conquista do Pão”), aulas de autodefesa, oficinas de costura; também se pode ter acesso a produtos da agricultura camponesa, cultivados e distribuídos por um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST)… de fato, vários militantes da FAG estão inseridos nas lutas rurais, camponesas e de recuperação das terras.

O Ateneu é também um espaço de coordenaçao das solidariedades e das lutas: aqui se encontram alguns coletivos, como o coletivo para a luta da populaçao negra, alguns coletivos feministas e também o coletivo da apoio e solidariedade à revolução popular curda… Também há encontros dos e das militantes para continuar levando as lutas de bairro, eixo da inserção social central para a FAG, cujas primeiras lutas foram as de organização das/os catadores de materiais recicláveis de Porto Alegre.

Além disso, a FAG também se insere tanto na frente estudantíl quanto na frente sindical. De fato, nestes últimos anos, o Brasil viveu uma radicalização das bases sindicais que levaram a numerosas greves que foram além do controle das direções burocráticas, e às vezes mafiosas. Em volta da FAG, encontram-se simpatizantes e militantes de diferentes frentes de luta numa tendência chamada Resistência Popular, uma verdadeira ferramenta da estratégia especifista onde se encontram as lutas convergentes de diferentes setores.

Um trabalho esforçado de convergência das lutas foi o que permitiu, no passado, transformar as lutas sindicais em verdadeiras lutas de bairro, como no setor da educação por exemplo. Esses 20 anos de construção da FAG foram acompanhados pelo desenvolvimento de outras organizações a nível nacional, construindo a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), em 2012.

Em um território 16 vezes maior que a França, desenvolver o federalismo não é contudo uma pequena coisa. A CAB marca um processo de construção de uma linha teórica e uma prática comum, fortalecendo as organizações pela base, inclusive pelo acompanhamento de novos grupos e pelo apoio mútuo, uma prática que é também comum entre as organizações latino-americanas, com o objetivo de desenvolver a corrente do especifismo no continente.

A estratégia do especifismo

O especifismo é uma corrente anarquista própria a América do Sul. Desenvolvido nos anos 1960 pela FAU, e tem suas origens principalmente nas teorias e nos escritos de Bakunin e Malatesta (sendo este último exilado na Argentina). Dois eixos centrais fundam esta corrente: a organização específica dos anarquistas e a prática/inserção social. O primeiro eixo insiste sobre a necessidade de se organizar em um nível politico como um grupo coerente, para poder atuar no movimento social com uma expressão, uma prática e uma ética libertária. O conceito de inserção social, por sua vez, refere-se à história particular do Brasil que viveu, em 1930, um declínio do movimento anarquista em “círculos culturais e intelectuais”, em detrimento da atividade no movimento social e sindical.

É portanto um retorno à luta de classes das/dos anarquistas organizadas e organizados e não uma forma de entrismo, como podem praticar algumas organizações da esquerda autoritária.

A organização deve ser um pequeno motor das lutas sociais a fim de acompanhar a construção do poder popular: os especifistas apostam, então, em um povo forte, no lugar de uma organização forte. O poder popular se constrói pela base, através do que os especifistas chamam de frente das classes oprimidas, reconhecendo então a existência de diferentes formas de opressão, sendo elas econômicas, de gênero, de raça, seja também pela categoria social (camponeses e camponesas, desempregados e desempregadas, trabalhadores e trabalhadoras etc.). Isto se traduz no investimento das/dos militantes, por frente de luta, em reivindicações próprias (exemplos: de bairro, estudantil, sindical, rural…) onde elas e eles participam no surgimento de espaços onde se constroem as solidariedades e as convergências das diferentes frentes de luta.

“Povo na rua pra resistir e pra lutar, povo que avança para o poder popular!”

Tradução: FARJ

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Violência de Gênero, Debater e Combater

CARTA PÚBLICA DA COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA SOBRE AGRESSÕES DE GÊNERO EM ORGANIZAÇÕES ANARQUISTAS ESPECIFISTAS

 “A validade da luta é integral. Não somente de gênero, mas toda luta que vá de encontro ao sistema. Por isso mesmo a luta pela igualdade de gênero é um elemento fundamental. Reconhecer que não pode haver justiça, não pode haver democracia, não pode haver relações horizontais, se as mulheres não estão participando. Ela disse: já basta! Para haver liberdade, tem que ser livre todos e todas.” – Mulheres Zapatistas

Tendo em vista a importância do processo de crítica e autocrítica para a construção de coerência entre nossos meios e fins, a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) vem publicamente reconhecer que em algumas organizações que compõem a CAB ocorreram casos de agressões de gênero, envolvendo agressores e vítimas. Decorrente desses casos, as fragilidades de prática e conduta de nossas organizações relativas às opressões de gênero se evidenciaram. Essas fragilidades foram percebidas não só internamente, mas também por diversos grupos de esquerda que combatem tais práticas. Assim, esse elemento reforça ainda mais a importância da luta feminista que vem cada vez mais escancarando e lutando contra as opressões também no campo da esquerda.

São valiosos os frutos que estão se originando desse processo pessoal e coletivo de autorreflexão e autocrítica que vêm nos acompanhando. Entendemos a necessidade de mudança quanto a nossa compreensão acerca das questões de gênero e, sobretudo, como essa problemática vem sendo trabalhada em nossas organizações e nas práticas cotidianas individuais e coletivas.

É importante comunicar que localmente as organizações tentaram, dentro de suas possibilidades, dar respostas aos casos de opressões de gênero que ocorreram. Entretanto, tais tentativas foram, na maioria dos casos, insatisfatórias. Decorrente dos erros, a CAB passou a questionar seriamente sobre que tipo de anarquismo organizado estávamos construindo, pois eram vários casos graves de opressão de gênero relatados pelas organizações e a incapacidade de responder a elas em coerência com nossos princípios e valores era incontestável.

O arsenal teórico de nossa corrente, construído na história da classe oprimida, não admite opressões de nenhuma natureza. Assim, se pretendemos construir organizações revolucionárias e se acreditamos que cada passo que damos deve ser coerente com nossos princípios e objetivos finalistas, devemos combater todos os tipos de opressões de maneira orgânica. Devemos ser firmes e atuarmos com rigor no combate às opressões, seja nas organizações políticas que construímos, nos movimentos sociais, e também em nossas posturas pessoais em âmbito público ou privado.

O movimento da classe trabalhadora, do qual o anarquismo é parte, tradicionalmente lutou por sua emancipação frente à escravidão econômica e a exploração. Entretanto, em muitos casos, parece que a única identidade unificadora foi construída em torno do homem branco trabalhador industrial. Decorrente disso houve o silenciamento ou a minimização de vozes que não cabem facilmente nessa identidade.

Assim, ficou claro para nós que, ainda mais que a ausência de meios coletivos concretos e orgânicos de resolução eficaz das agressões de gênero, o problema tem raízes mais profundas: a violência estrutural contra as mulheres e quaisquer pessoas que não reivindicam a masculinidade hegemônica, independente do sexo biológico, é algo vivido rotineiramente nos espaços em que deveria ser combatida.

A violência estrutural é um mecanismo de controle sobre as mulheres. Não apenas como forma extrema, mas também na forma de relações normalizadas e naturalizadas. Ela permeia todas as esferas do cotidiano: as relações pessoais, a percepção e o uso do espaço público, o trabalho, a autoridade reconhecida, a percepção dos próprios direitos ou a ausência deles, a relação com o próprio corpo e a sexualidade, etc.

A influência ideológica dominante está profundamente enraizada em nossos comportamentos e, mesmo que apontemos a importância da luta feminista, o embasamento organizacional desta luta depende que os companheiros estejam dispostos a reconhecer sua posição de privilégio enquanto homens em relação às mulheres de sua própria classe e, a partir desse reconhecimento, que eles saiam da zona de conforto patriarcal. Isto significa refletir sobre onde suas posturas reproduzem a lógica do machismo, pois quando nos reivindicamos anarquistas devemos estar dispostos a abrir mão de todos os nossos privilégios, sendo eles de classe ou gênero. Reconhecer que a violência machista é estrutural é o começo para criar as condições necessárias de evitá-la. Responsabilizar-nos quando acontece em nosso entorno é também essencial para sua superação.

UM PASSO PARA REFLEXÃO

Tendo em vista a constatação de que a violência estrutural de gênero permeia toda a sociedade – inclusive as organizações que compõem a CAB – faz-se necessário o exercício de reflexão, principalmente de companheiros homens, brancos e heterossexuais, acerca da desconstrução de seus privilégios. Entendemos que a superação do machismo somente será possível modificando a estrutura da sociedade, mas devemos combate-lo desde já.

Um texto que merece destaque é o de Las Afines que sistematiza em três pontos as condutas geralmente adotadas por grupos e coletivos ao tratar da violência de gênero, muitas vezes gerado pela falta de profundidade e sensibilidade.

O primeiro ponto trata-se de dar aos casos de violência contra as mulheres um tratamento de problema privado e pessoal, a ser resolvido entre dois. Entende-se o problema como sendo um assunto turvo onde não há verdades, mas apenas duas experiências muito distintas de uma mesma situação confusa, uma vez que a questão perpassa certa complexidade de nível individual, que são extremamente válidas. Contudo, tendo essa compreensão, nós perdemos a possibilidade de intervir politicamente e é justamente disso que se trata quando falamos de violência machista. É necessário, portanto, que o problema seja trabalhado de modo a promover resoluções políticas coletivas.

O segundo ponto é sobre o uso de termos atenuantes e/ou relativismos na descrição do ocorrido e na definição dos atores envolvidos. Chamemos as coisas pelo seu nome: agressão é o que descreve o fato, agressor é quem a comete. Fazer isso não deve ser um obstáculo invencível nem tampouco uma opção reducionista que negue outras facetas que possa ter uma pessoa. O texto adverte também o problema de atribuir à mulher agredida uma posição de incapacidade, em que tudo que diga ou faça a vítima será tido como reação emocional, nervosismo, impulsividade e defensividade. Ressalta que atitudes paternalistas e protecionistas com a pessoa que ocupa o papel de vítima criam obstáculos para sua participação em plano de igualdade no processo coletivo.

Por fim, o terceiro ponto colocado pela autora se refere à priorização da unidade do coletivo e do consenso por medo ao conflito. Coloca que neste ponto a problemática é quando se tem uma “decisão coletiva”, quando boa parte do grupo não possui uma reflexão própria prévia e cujo discurso passa por simplificações, ou ainda quando há posturas irreconciliáveis e excludentes entre si. O objetivo deste “consenso” é manter certa coesão no grupo e dar uma ilusão de legitimidade às decisões. Cabe considerar que, de início, só há uma decisão política possível: a de que o agressor deve ser afastado (e não expulso indefinidamente) de todos os espaços comuns com a vítima. A partir disso, a organização deve assumir sua responsabilidade coletiva na gestão adequada da violência de gênero de modo crítico e reflexivo, trazendo à tona todos os conflitos e divergências internas existentes.  Decidir coletivamente não necessariamente significa mediar, pacificar ou compreender.

Notamos que o posicionamento das organizações da CAB em relação às agressões sofridas por mulheres foi permeado por essas questões já citadas. Questionar as companheiras de modo insensível, sem antes tomar o cuidado com seu acolhimento; relativizar denúncias pelo fato de o agressor ser um militante antigo ou importante para a organização; resolver a questão pelo método da guilhotina, ou seja, expulsando ou afastando indefinidamente um militante ao invés de construir caminhos para a autocrítica (individual e coletiva); tomar decisões guiadas pelo pânico coletivo instaurado pelo medo de uma deslegitimação pública da organização. Em nossa avaliação, essas são posturas que expressam certo nível de opressão e que precisam ser superadas.

São inaceitáveis as situações em que uma pessoa oprimida pede socorro aos seus companheiros e a primeira reação é ser questionada antes mesmo de ser acolhida. Questionamentos do tipo “mas o que você fez pra ele gritar com você?” não devem ser feitos, uma vez que perpetuam a violência de gênero, apontando a culpa da agressão à vítima. Além disso, a pessoa agredida possivelmente já está muito abalada e passar por um processo nesses moldes seria ainda mais penoso. Consideramos que comportamentos como estes são uma tática de manutenção do privilégio patriarcal, sendo ela deliberada ou não.

De outro modo, as organizações devem dar todo acolhimento e suporte à vítima e junto com ela tomar as decisões cabíveis. Cientes disso, criamos metodologias orgânicas para encaminhar situações que venham a ocorrer. A simples expulsão de um militante agressor não garante que comportamentos machistas não se repetirão dentro do coletivo e menos ainda que essa mesma pessoa não volte a cometer opressões fora dos espaços internos da organização.

***

O machismo está incutido em nossas subjetividades. Ou seja, a desconstrução individual e coletiva não é objetiva e mecânica. O machismo não vai ser extinto do meio social como um tumor é retirado do corpo. É dever de uma organização revolucionária e feminista lidar com essas questões, não somente pela intensão de manter uma boa imagem pública. Essa postura seria cínica e antiética com as companheiras.

A CAB compreende que é necessário construir movimentos e organizações que deem voz a todas as pessoas oprimidas. Em termos práticos, as agressões de gênero ocorridas no seio das organizações especifistas nos levaram ao entendimento de que é necessário criar instrumentos em nossa estrutura interna para dar conta dessas problemáticas e um programa de formação e conscientização contra as opressões. É o que estamos fazendo.

Entendemos que formações teóricas, sozinhas, não darão conta da superação das relações de dominação. Acreditamos que nossas organizações são fruto das experiências históricas da classe oprimida, mas também de nossas experiências atuais. Por isso, devemos reconhecer que práticas opressoras são incoerentes tanto em nível privado quanto em nossa prática e conduta política.

Tendo isso em vista buscamos discutir, reforçar e deixar bem esclarecido questões sobre ética e postura militante. Mais do que isso, buscamos incorporar a prática feminista ao nosso cotidiano e acreditamos que é imprescindível que os homens de nossas organizações incorporem, façam ventilar esse debate e desenvolvam novas posturas e comportamentos. Esse processo deve ocorrer com todas as pessoas e, assim, fortalecemos a autorreflexão e autocrítica sincera, incentivamos e apoiamos práticas de identificação de posturas opressoras dentro dos nossos espaços coletivos. Contudo, não devemos cair em práticas punitivistas. Endossamos e buscamos implementar o uso de comissões de ética para tratar as questões de violência de gênero e outras opressões. Enfatizamos que não são somente as mulheres que devem ser responsáveis pelo feminismo. Os homens – sem se sobrepor às mulheres nessa luta – devem contribuir, de modo a promover, dentro e fora das organizações, nossa linha de combate às opressões. É importante fortalecer as companheiras para que elas mesmas possam apontar as múltiplas facetas da opressão de gênero que sofrem.

Não criamos a ilusão de que práticas machistas deixarão de existir no seio de nossas organizações imediatamente. Estamos trabalhando com firmeza, individual e coletivamente, para criar espaços organizativos seguros, confortáveis e capazes de dar voz e vez às pessoas historicamente oprimidas.  Temos como desafio criar um movimento revolucionário capaz de extinguir todas as opressões e criar coletivamente uma sociedade emancipada.

Reconhecer nossas limitações e fragilidades nos leva à urgência de dedicar esforços a uma prática política feminista, coerente e comprometida com a construção de uma sociedade igualitária e libertária de fato. O Poder Popular se constrói desde baixo e temos a certeza de que, com ética, honestidade e compromisso podemos gritar lado a lado contra um inimigo maior, e isso deve bastar para nos considerarmos iguais em nosso meio.

O ANARQUISMO SERÁ FEMINISTA OU NÃO SERÁ!

Fevereiro de 2016

Las Afines. Quem teme aos processos coletivos? Notas Críticas sobre a gestão da violência de gênero nos movimentos sociais. Tesoura para todas, p. 57-67. Nota da CAB sobre violência de gênero.

Leia o original em: https://anarquismo.noblogs.org/?p=386

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Contra a Crise e o Oportunismo: Ação Direta com as/os De Baixo

A Coordenação Anarquista Brasileira manifesta sua opinião sobre os recentes acontecimentos resultantes da lógica dominante do capital financeiro especulativo, nacional e internacional, que opera seus interesses por meio do Estado e suas estruturas jurídicas, políticas, repressoras e midiáticas. São expressões disso as defesas de um terceiro turno por parte do PSDB, as investidas nos avanços dos cortes de direitos trabalhistas e sociais, os cortes de verbas à educação e a lei antiterror que o PT colocou em pauta, e o caso das quatro contas bancárias em paraíso fiscal por parte de Eduardo Cunha (PMDB).

Aqui, declaramos nossa opção de luta classista, que prima a organização com os debaixo na luta cotidiana, ombro a ombro, na luta diária. Vemos que existem questões mais profundas, estruturais, que vão além da chantagem da direita declarada no jogo político (representada por Cunha e pelo PSDB) ou pela manutenção de uma esquerda institucional (PT e seus comparsas). Lembremo-nos das declarações do EZLN de que a “esquerda institucional nada mais é do que uma direita envergonhada”. O PT, PSDB, PMDB e tantas outras siglas não se envergonham do que fazem, nem têm tentado esconder o que pensam. São carrascos e traidores da luta popular, e devem ser tratados, denunciados e combatidos como tal.

Repudiamos a manipulação da Rede Globo e demais empresas da mídia burguesa. Empresas que fazem campanha pela desestabilização do país, colaborando com os interesses do capital financeiro especulativo e industrial de governos e empresas dos EUA e da Europa. Esses que veem o caos no Brasil como porta aberta para avançar nas políticas de privatização e redefinição dos critérios de exploração do pré-sal, privatização da Petrobras e demais setores estratégicos e lucrativos como os da energia, recursos naturais e transportes. Assim, podem fazer avançar ainda mais as políticas neoliberais de privatizações e de austeridade, já em profunda aplicação nos países da União Europeia. A ganância do capital e os interesses mesquinhos dos políticos não autorizam o PT, o PMDB, o PSDB, Cunha e sua quadrilha a fazerem um “governo de reféns”. Quem de fato sofre e se torna refém é o povo, que é quem sente na carne com desemprego, cortes sociais, especulação imobiliária e perda de direitos básicos como: saúde, moradia, educação e transporte.

Entendemos que grande parte dessa situação é resultado das escolhas mais do que conscientes do PT nos treze anos de governos Lula e Dilma. Resulta também de uma política de coalizão de classes, que já chegou ao seu esgotamento e da política de barganhas a qualquer preço para garantir a manutenção da governabilidade e de seu projeto de Poder. Um caminho tomado de forma planejada e pragmática pelo PT e que só poderia levar a essa situação, dadas as concessões e negociações com o capital e poderosos – não esquecendo da sua aliança permanente com o próprio PMDB.

O povo está refém de partidos e políticos que só defendem seus próprios interesses e de seus financiadores. A “estagnação” do país é conveniente apenas para determinadas pautas, em meio a chantagens, permutas e disputas internas. No entanto, quando se faz necessário, a direita e os governistas esquecem supostas divergências e comerciam de forma conjunta para fazer duros cortes no social e transferir o pagamento da “crise” para as/os trabalhadoras/es. Tal situação pode ser observada com clareza no congresso que trabalha de modo rápido, eficiente e articulado para onerar o povo. Esse é o caminho da política institucional e parlamentar, palco de propinas, barganhas, pilantragens e roubalheiras sistemáticas, praticadas hoje por PT, PMDB, PSDB e toda essa corja de parasitas do Congresso, Senado e judiciário. Ou seja, independente do partido que está no governo, as reais demandas do nosso povo nunca foram, nem serão, prioridades da via institucional-parlamentar.

Desse modo, com que cinismo o PT vem pedir mobilização permanente em defesa de seu governo? Um governo que não avança um milímetro na defesa dos reais interesses do povo, mas só recua seus direitos e o violenta, com recessão, políticas de austeridade, fechamento de escolas do campo e da cidade. Degrada hospitais públicos, deixa a reforma agrária estagnada, mas privilegia o empresariado e o mercado internacional. O PT foi conivente e opera as políticas de direita, criando espaço para o conservadorismo e negociando com a agiotagem do FMI (e o capital especulativo), mas se pinta de vermelho quando convém. Com isso, possibilitou o avanço da direita mais retrógrada e de setores conservadores que cada vez mais conseguem implementar suas pautas, o que, pelo que tem demonstrado, são suas também.

Com que argumento o PT vai pedir apoio se continua sangrando o povo? Mantendo a mesma lógica de exploração da classe trabalhadora com uma política social mínima e uma economia baseada nas taxas de juros beneficiando a agiotagem do setor financeiro especulativo, e no modelo de exploração e venda de commodities oriundos da mineração e da monocultura extensiva do agronegócio? Como pedir apoio se assistimos ao maior desastre ambiental da história do país, protagonizado por parte da terrorista Vale por meio de sua testa de ferro SAMARCO, e o governo apresenta uma lentidão inacreditável sem aplicar nenhum tipo de punição ou ação proporcional que obrigue esta multibilionária empresa a se responsabilizar e custear os irreparáveis danos sociais e ambientais causados?

O resultado dessa política do PT/PMDB é que o povo paga a conta da crise. É o povo que fica sem terra e sem condições para plantar e viver no campo. Fica sem moradia, sem hospitais e escolas, sem transporte e sem direitos sociais garantidos. O povo negro é exterminado diariamente nas periferias com a política de segurança e os pobres e movimentos sociais são criminalizados. Mulheres e indígenas têm seus direitos sequestrados, mas os ricos, banqueiros, empresários, latifundiários e demais poderosos, continuam a ser beneficiados e priorizados pelas políticas do governo.

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Retomar os legítimos valores da luta da classe trabalhadora: por independência de classe e organização pela base!

Os setores políticos progressistas dizem que a democracia está em risco com essa disputa política, mas são os valores e conquistas históricas da luta popular classista construída pela força das/os de baixo que estão realmente em risco, e não é de hoje! Os movimentos sociais não podem mais ficar esperando e acreditando que vão conseguir pautar ou disputar o governo. Esse governo (muito menos outros) não está em disputa, como prova o final da última eleição, quando muitos trabalhadores apoiaram “criticamente” o PT e este simplesmente executou grande parte da agenda neoliberal do adversário derrotado, o tucano Aécio Neves.

A esquerda em geral, os movimentos sociais e sindicatos não podem se deixar mais cooptar pelo PT no governo nem pelo governismo. Assim como foi com Lula e com a reeleição de Dilma, não podemos deixar se repetir mais uma situação ridícula de mobilização da esquerda em apoio ao PT, seguida de mais recuo nas pautas sociais por parte do governo. Foi justamente isso que ocorreu com a reeleição de Dilma e é eminente que se repita com esse processo de impeachment. Acontecendo ou não o impeachment da presidenta, o que vale para eles nesse jogo político é construir uma base de apoio ao governo e um amplo consenso para manter a dominação de classe no próximo período. O central da pauta conservadora já está estabelecido, agora a disputa é entre quem se candidata a executá-la nos próximos anos.

O nosso entendimento é de que a esquerda e os movimentos sociais devem romper com essa lógica suicida do governismo, se não querem ir para o fundo do poço junto com o PT. Não se pode ser revolucionário e crítico e, ao mesmo tempo, manter apoio incondicional a um governo que permite e é cúmplice da lei antiterrorismo. Um governo que é cúmplice dos avanços das políticas conservadoras contra mulheres, LGBTTs e o genocídio do povo negro e dos povos originários e aumenta a criminalização dos pobres; que nomeia uma ministra ruralista para dar mais poder ao agronegócio e piora ainda mais a situação de sem-terras e camponeses. Um governo em que indígenas, ribeirinhos, catadores de caranguejo, quebradeiras de coco babaçu, pescadores e pescadoras artesanais são cada vez mais violentados e perdem seus territórios para os ruralistas que têm bancada no congresso; que assume uma política neoliberal com um verniz progressista sacrificando os pobres para satisfazer os interesses dos investidores e do FMI.

Já passou a hora dos movimentos sociais irem para as ruas sim, não para defender este governo, que é totalmente indefensável, mas para fazer frente ao avanço dos setores conservadores e de direita e também contra as políticas de direita do governo.

O governismo também é nosso inimigo, pois atua dentro dos movimentos barrando a revolta popular. Muitas das recentes experiências de luta, como as ocupações de escolas em São Paulo, mostram que as práticas governistas e burocráticas são incapazes de pautar o significado e a direção das lutas quando há métodos de empoderamento popular desde a base, dotados de princípios organizativos como a ação direta e a autonomia. Mas o governo ainda tem seus aliados e muitas direções de movimentos se deixaram cooptar. É preciso romper com a subordinação da luta de massas e a suspensão de bandeiras de luta ao calendário eleitoral, aos conchavos do Estado e às disputas internas dos políticos profissionais.

Essa polarização, impeachment ou o governismo aferrado, sustentada pelos petistas, burocracias sindicais e certas direções de movimentos sociais não são alternativas para a luta contra o ajuste que golpeia a vida da classe oprimida. Os consertos e os arranjos oligárquicos que vêm de cima, o sistema corrupto e criminal que faz estelionato eleitoral com a democracia burguesa, não produzem mudança real. A democracia que tem de ser peleada nessa hora é a democracia de base e tem de ser a afirmação da independência de classe em relação aos sistemas de representação burguesa. Assembleias nas escolas ocupadas, nos locais de trabalho onde a patronal corta direitos, salários e ameaça demitir. Assembleias nas comunidades da periferia que é perseguida pela violência policial e privada de serviços públicos, luta nos territórios de resistência indígena, quilombola e camponês, extensão e radicalização de uma participação decisiva que não aceita intermediação burocrática e faz exercícios de poder popular.

Só um povo forte e organizado pode exigir seus direitos e mudanças nessa política, que não é apenas do Levy, da Kátia Abreu ou do Congresso Nacional, mas sim da lógica perversa e opressora do capitalismo e do Estado, a qual o PT soube se adaptar e barganhar muito bem desde a “Carta ao Povo Brasileiro”. E isso não aconteceu por acaso, foram décadas de uma prática burocrática de setores da esquerda, que abandonaram o trabalho de base e que agora cobram seu preço. Treze anos de acomodações de muitos movimentos sociais se deixando cooptar pelo governo PT agora cobram seu preço. O imaginário popular da esquerda foi abalado e as práticas do PT no governo têm grande parcela de culpa nesse processo. O avanço conservador é a derrota do discurso de que este governo é um projeto “democrático-popular”, quando na verdade é o avanço de um governo que caminha cada vez mais e abertamente para a aplicação do projeto neoliberal.

Lutar com as/os de baixo, pela construção de um Povo Forte e Organizado que deve caminhar pela via da Independência de Classe ao Poder Popular

O jogo está posto e quem tem perdido com essa disputa entre elites, somos nós: pobres, trabalhadores, negras/os, quilombolas, moradoras/es das favelas e periferias, indígenas, mulheres, LGBTTs, campesinas/os e povos originários – nós, as/os de baixo. É mais que necessário e urgente a nossa organização contra o verdadeiro golpe que tem sido aplicado pelos de cima (os opressores), na retirada de direitos conquistados e na precarização dos nossos direitos básicos: saúde, educação, moradia e transporte etc.

Defendemos a retomada dos valores classistas e práticas históricas de luta da classe trabalhadora. Com ação direta, federalismo e democracia direta na construção e condução das lutas. Fortalecendo organismos populares de base, desburocratizados e organizados em espaços e movimentos sociais, com autonomia e unidos pela solidariedade de classe e apoio mútuo. Só podemos construir o Poder Popular com o protagonismo desde as bases e radicalizando a democracia em todas as esferas. Lutando com as/os de baixo nos processos cotidianos, como único caminho para construção do Poder Popular e de um sujeito de transformação social com vias a um novo mundo, Socialista e Libertário.

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Coordenação Anarquista Brasileira
08 de dezembro de 2015

Saudação do FAE-Bahia aos 20 Anos do FAG.

@s militantes reunidos no Fórum Anarquista Especifista da Bahia deixa um fraterno abraço libertário e desejo de vitórias para todas e todos @s militantes e apoiadores que estiveram, nesses 20 anos, impulsionando a Federação Anarquista Gaúcha.

Entregamos nossos votos de luta para aquela que consideramos uma das mais importantes organizações anarquistas da América Latina e em especial para o anarquismo brasileiro. Certamente a FAG teve um papel decisivo na formação e construção de referencial para muitos d@s noss@s atuais militantes na Bahia, somos também o resultado desse período de dedicação de tod@s vocês da FAG, é um exemplo que nos inspira a continuar nossa construção com simplicidade e modéstia, mas também com garra e com convicção, na compreensão de que anarquismo é um instrumento da nossa luta como oprimidos/as e uma ferramenta para nossa emancipação e que precisa de responsabilidade e compromisso para continuar enraizando uma alternativa para esse mundo de explorações.

Mais uma vez nosso humilde e fraterno abraço de luta, de quem ainda caminha para seu segundo ano de existência frente aos inspiradores 20 anos d@s noss@s irmãos e irmãs de ideologia, à todas e todos da Federação Anarquista Gaúcha.

Saúde, Persistência, Convicção, responsabilidade, Compromisso e Luta !

Viva a Federação Anarquista Gaúcha!

FAE-Bahia 24 de setembro 2015.

COMBATE À VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Sabemos que como anarquistas, não estamos livres dos mecanismos de dominação elaborados pelo sistema capitalista que enfraquece e fragmenta a nossa classe trabalhadora. Essas podem se configurar através das práticas sexistas sendo refletidas no cotidiano, mas também entre aquel@s que se comprometem com a transformação social.

Nós do Fórum Anarquista Especifista não negamos que possamos cair nesses erros, todavia nos predispomos a romper cotidianamente com essas práticas em nossa organização e na nossa atuação social. Repudiamos todo e qualquer ato de opressão de gênero! Sabemos que dentro da esquerda as opressões contra as mulheres não foram superadas e nos comprometemos com a auto avaliação de forma contínua e combatemos essas práticas nos nossos espaços políticos.

Lutar, Criar e Poder Popular!!!

Construir um Povo Forte!!!

Contra todas as formas de Opressão!!!